Dia do Filósofo - 16 de Agosto
"Penso, logo existo." (Descartes, "O Discurso do Método").
Eu garanto que muitas pessoas recorrem a esta frase em muitos momentos, para traçar um paralelo entre a Filosofia e sua importância na existência do ser humano. Claro, pois ela é fundamental a nós no sentido de refletir, discorrer e questionar acerca de diversos aspectos da coletividade, por meio das palavras, atitudes e até mesmo legislações ao redor do mundo.
Na etimologia, é uma palavra amiga! Sim, porque seu prefixo philo, originado do grego, sinônimo de afeição, amor ou amizade, já pressupõe isso e as vertentes (metafísica, lógica, ética) trabalham muito com estes três conceitos citados.
Complementando a explicação sobre a etimologia, sophia significa sabedoria e conhecimento.
Todos nós então somos um pouco filósofos, por nos identificarmos com algum ramo do saber e procurarmos nos aperfeiçoarmos nele? Isso pode ser assim considerado? Existe filósofo que compartilhe desta opinião?
Podemos dizer que a resposta é "sim" e "não" ao mesmo tempo. Afirmativa porque, seguindo o preceito de Aristóteles (aliás, a data escolhida de 15 de agosto deve-se ao seu nascimento) em Metafísica, "todos os homens, por natureza, desejam saber", realmente procuram conhecer e tomar contato, seja por curiosidade, seja por afeição ou busca de desenvolvimento profissional.
Isso se alinha com os ideais de outra famosa figura, Sócrates, que nos mostra o significado do ato de filosofar. Platão apresenta a Apologia, para nos fazer perceber que nossa diferença em relação aos supostos sábios está em não acreditar saber aquilo que não sabe.
“Quero aprender tecnologia porque quero trabalhar nesta área.”
Mas se transcendermos ao cabedal filosófico, destrinchamos o questionamento para o que se segue:
“Quero aprender tecnologia. Mas o que significa criar sistemas que passam a tomar decisões? O que diferencia inteligência de consciência? Até que ponto uma máquina pode realmente compreender alguma coisa?”
É claro que, a partir do exemplo acima, podemos dizer que um pouco da iniciativa de filosofar pode existir em cada um de nós, pois comumente há uma disposição (ou ao menos uma pequena curiosidade) em questionar aquilo que julgamos saber, aprofundando-nos sobre o assunto. Mas o estudo exploratório denso nem sempre é praticado.
E isso aproxima os conceitos de ambos (Sócrates e Aristóteles), justamente pela junção de dois postulados.
Aristóteles - "O ser humano deseja saber."
Platão - "É preciso saber que não conhecemos tudo."
Isso nos dá um caminho de resposta ao desafio traçado no início do artigo. Até certa medida podemos nos considerar "filósofos" em potencial. Não necessariamente porque dominamos algum ramo do conhecimento, mas porque somos capazes de perguntar, duvidar, investigar e procurar compreender aquilo que nos cerca.
Afinal, se Aristóteles dizia que “todos os homens, por natureza, desejam saber”, e a tradição socrática nos ensina que reconhecer o próprio não saber é o início da busca pelo conhecimento, talvez filosofar seja menos uma profissão e mais uma atitude diante da vida.
Vale a reflexão!
Até a próxima postagem, pessoal!
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