Dra. Tatiana Sampaio e a Polilaminina - Dias Promissores Para o Tratamento das Lesões Medulares?
Certamente um dos diagnósticos mais dramáticos dentro da medicina é a lesão medular, por conta de afetar o feixe de nervos (na medula espinhal). Pois como consequência, há uma interrupção da comunicação entre o cérebro e o corpo e o paciente afetado perde a sensibilidade e os movimentos, além da força muscular.
A depender da extensão da lesão, ela pode ser classificada como completa (perda total de funções motoras e sensoriais), incompleta, tetraplegia (afetando braços, pernas e tronco) e paraplegia (afetando região torácica, lombar ou sacral, esta na parte inferior do corpo.
Uma parcela significativa destes traumas advém, infelizmente, dos acidentes automobilísticos, especialmente os que envolvem motocicletas, veículos normalmente mais vulneráveis quando há choques e pessoas envolvidos.
E inclusive no que diz respeito à chamada população economicamente ativa (classificada pelo IBGE aquela na faixa etária entre 14 a 65 anos), esse fato acaba sendo significativamente impactante, dado que os maiores números absolutos de acidentes concentra-se neste nicho.
No site do Detran de São Paulo (https://infosiga.detran.sp.gov.br/#sinistros), isso encontra-se muito bem retratado e, para facilitar e ilustrar o entendimento, reproduzo aqui duas imagens referentes a estes números.
Imagem 1 - Sinistros Por Faixa Etária
Vejam que os maiores volumes no gráfico de barras está concentrado nas faixas de 18 a 24 anos e 25 a 29 anos, com a maioria dos casos envolvendo o sexo masculino.
Imagem 2 - Sinistros Por Sexo
Corroborando o exposto anteriormente, constatamos o percentual de 70% do volume de sinistros concentrado para o sexo masculino.
Tudo o comentado acima teve o propósito de reforçar a necessidade de termos 2 caminhos para o tratamento dos traumas medulares: a mudança da cultura do ato de dirigir, muitas vezes permeado pela irresponsabilidade (alta velocidade + consumo de bebida alcoólica), e o constante aperfeiçoamento nos processos de reabilitação dos pacientes.
Neste sentido, quero comentar o trabalho de excelência prestado pela AACD, pois reúne equipe multidisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e fonoaudiólogos (dentre outros). Dentre seus números (vide site https://doe.aacd.org.br/), constam 858 mil atendimentos ao ano (não restritos somente à parte de lesões medulares) e cerca de 62 mil produtos ortopédicos entregues.
E também, agora mais importante em relação aos processos de reabilitação, abordo o estudo realizado há mais de 30 anos pela bióloga Tatiana Sampaio, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).
O uso de uma substância denominada laminina, que organiza e sustenta tecidos do corpo. E no estudo em questão, ganhou notoriedade por proporcionar a pacientes com comprometimento na medula espinhal (com lesões), a recuperação gradativa de movimentos.
Ao fixar células epiteliais à lâmina basal, proporciona estabilidade mecânica. Orienta o crescimento dos chamados axônios, que são prolongamentos dos neurônios, que passam pela medula espinhal e conectam o cérebro ao restante do corpo. No caso da polilaminina, os estudos apontam que a proteína pode ajudar a devolver movimentos para quem tem lesões na medula.
O ideal é que ela seja usada em um prazo de até 3 dias após o trauma, dado que a medula começa a formar uma cicatriz em volta dos axônios. E quanto maior o processo da cicatrização, mais difícil torna a sua ação efetiva.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em janeiro, o início do estudo clínico que vai avaliar a segurança do uso da polilaminina para o tratamento de lesão medular.
Esperamos que os testes sejam promissores para o futuro, proporcionando o uso do medicamento de forma massiva na cura dos traumas.
Até a próxima postagem, pessoal!


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