Como Caminha a Humanidade? Assim... (Leia o Texto)
Dois fatos recentes novamente resgataram no meu pensamento aquele velho e bom refrão da música do Lulu Santos: "assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade". Primeiramente a atitude inimaginável de pessoas atacarem uma família reunida com seu filho, presenteado com a camisa de seu ídolo (no caso o jogador Neymar), na partida deste último domingo entre Corinthians e Santos, pelo Campeonato Brasileiro, apenas porque o garoto torcia para o Corinthians...
Ninguém merece ser acuado ou desabonado por conta de uma preferência esportiva. Isso não norteia o caráter e a formação do indivíduo. Mas o contrário é muito grave e demonstra uma irracionalidade fomentada por uma espécie de distorção a algumas teorias de Émile Durkheim, sociólogo francês, as quais discorrerei a seguir.
Ele apregoava o Fato Social como uma de suas premissas. São basicamente hábitos ou maneiras de agir que estão alheios ao indivíduo e que se perpetuam ao longo do tempo além dele próprio. Apesar disso, permeiam parte de seu comportamento na sociedade. No caso das torcidas, norteiam-se pelas características abaixo:
1. Generalidade: o compartilhamento de uma paixão em comum (no caso aqui o Corinthians), promove uma reunião indissolúvel de milhares de pessoas com o mesmo hábito (vestir o manto do time) e uma sincronia no ato de torcer (ao entoar gritos de guerra coletivos) pelo conhecimento do grupo de todos os cânticos criados ao longo da história da torcida.
2. Exterioridade: o sentimento de ser torcedor, fomentado pela cultura, pela admiração pelas cores, pela garra do time e pela força da torcida, é uma característica transmitida de pai para filho e que sempre será perpetuada.
3. Coerção Social: no contexto deste artigo, este é o aspecto mais importante porque, apesar de ser de alguma forma admissível no sentido de brincarmos com nossos amigos e filhos para que sejam "convertidos", ou seja, mudem de time, no contexto do ocorrido nesta última partida, representa o padrão clássico de pressão do grupo para que o indivíduo se comporte de determinada forma. Se um torcedor vai ao estádio e se recusa a cantar, usa a cor do rival ou, no caso aqui, aceite uma camisa de um ídolo rival, ele sofrerá uma punição ou reprovação social imediata do grupo...
Quanto ao segundo fato, vamos falar um pouco de verborragia política.
É o discurso moldado de forma a utilizar e exagerar em número os termos, inflar os números, a possessividade nos feitos, dentre outras coisas. Muitas vezes, no intuito de se fazer frases de efeito, sob o pretexto de buscar o engajamento do eleitor.
O problema neste tipo de discurso, como visto mais recentemente na fala de muitos candidatos, é que, na intenção de se aproximar das pessoas mais humildes principalmente, certos termos são colocados de forma inadequada, mesmo talvez sem intenção, e acabam afetando a auto-estima justamente destas camadas menos abastadas.
Em alguns momentos realmente a fala expressa o sentido literal da mensagem e em outros momentos ela é "pescada" a partir de um "recorte", ou seja, de um trecho específico de um discurso completo. Daí advém algumas análises: nem sempre aquilo é o que parece ser...
Com isso, a política cai em algumas falácias lógicas, as quais podemos exemplificar de algumas maneiras:
- Ad Hominem (Ataque ao homem): Ataca o caráter do opositor em vez do argumento dele. Desqualifica a proposta criticando a vida pessoal de quem a defende.
- Tu Quoque (Você também): Devolve a acusação ao adversário para fugir da própria culpa. Justifica um erro apontando que o outro partido também o cometeu.
- Espantalho: Distorce o argumento do rival para torná-lo mais fácil de atacar. Transforma uma crítica moderada em uma posição radical e absurda.
Aqui no Brasil acabam sendo muito latentes e até mesmo tristes as inúmeras brigas envolvendo a chamada polarização dos espectros políticos e, basta um lado dar certa opinião, para que outro o rotule por determinados nomes que pasmem... muitas vezes nem sabem o que significa!
Talvez isso também tenha um aspecto de Durkheim também, no sentido de coercitividade social. Os lados políticos em diversos momentos, motivado pelas opiniões e pressão das massas, emitem opiniões muito menos baseadas no lógico e muito mais pela necessidade inquebrantável de ter absoluta razão!
Isso dificulta e muito um aspecto que seria importantíssimo e fundamental para a construção de uma sociedade melhor: o consenso.
Mas um dia chegaremos lá, temos que ser otimistas. E você, estimado leitor? É mais direcionado a tentar um consenso ou uma conciliação? Consegue chegar nesta janela de oportunidade? Fica aberta esta reflexão.
Até a próxima postagem, pessoal!
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