Chuva de Milhões (1985) - Qualquer Semelhança Nâo é Mera Coincidência...

Domingo está chegando e reunindo um pouco dos pensamentos sobre o que está por acontecer, sempre me vem à cabeça um filme já da década de 1980 (mais precisamente de 1985), chamado "Chuva de Milhões" (Brewster's Millions) e estrelado pelos eternos John Candy e Richard Pryor.


O mote do filme baseia-se na figura de um jogador de beisebol fracassado, chamado Montgomery Brewster (Pryor) que surpreendentemente, após ser monitorado por algum tempo, é convocado para uma reunião na qual descobre ser parente de um milionário. Este (já falecido), deixa um recado em vídeo, propondo um desafio: deixar uma fortuna de US$ 300 milhões como herança a Brewster, sob a condição que ele gaste US$ 30 milhões em 30 dias, sem obter nenhum bem em seu nome.


Para mais além das confusões que vive, Brewster não pode deixar claro a ninguém sobre o desafio, inclusive sobre esta condição de não comprar nada que fique em seu nome e de doar somente um certo percentual do montante para a caridade. Para tanto, conta com uma figura importante nesta empreitada maluca: a contadora Angela Drake (Lonette McKee) e seu amigo Spike Nolan (Candy). 


O ponto central do filme, porém, é muito semelhante ao contexto que estamos vivendo agora, porque tem uma conotação política. Primeiramente, Brewster resolve candidatar-se a prefeito de Nova York para ganhar mais visibilidade. Mas também (e principalmente) para resolver o imbróglio de gastar o máximo de dinheiro dentro do prazo, não podendo recorrer, como dito anteriormente, a bens que viessem eventualmente ficar em seu nome, a recorrer a doações ou a simplesmente... rasgar dinheiro. E tudo contabilizado por sua assessora, Angela, pois precisa ser provado. 


Isso não nos faz lembrar de algo que estamos vivendo agora (uso de fundos...)?

E a história continua... e a candidatura, ao mesmo tempo que constitui-se em um ótimo pretexto para os gastos, poderia tornar-se algo problemático para ele, pois, se fosse eleito, chegaria ao final do desafio dos 30 dias recebendo um salário pelo seu cargo. E uma das condições também para o recebimento dos US$ 300 milhões prezava que ele não deveria ter um tostão sequer no bolso ao término do prazo. 

Como ele também, ao entrar no cenário político, descobre que a reputação dos outros principais concorrentes não era nada ilibada, adota um famoso bordão e o divulga aos seus eleitores: "none of the above" que na prática quer dizer "nenhum dos que está acima". 


Justamente... há um certo dilema aqui porque ao mesmo tempo que Brewster não está honrando seus eleitores potenciais porque está se auto-excluindo da disputa, ele dá voz a uma opção de voto que para muitos, é questionável: o "voto de protesto". Ou seja, aquele em que o eleitor não escolhe nenhuma das opções existentes, simplesmente porque não se identifica com nenhuma delas. 


Eu não vou expor aqui o resultado final dentro do filme, mas a mensagem que desejo fixar em todos é o respeito e o direito de escolha. E que a nossa definição sobre quem escolher não deve ser pautada no marketing intenso e sedutor, tampouco pela paixão por elemento x ou y. Devemos analisar propostas que sejam coerentes e factíveis, evitar nos deixarmos levar pela verborragia (tão comum nos discursos políticos) e apenas pela antipatia com o lado oposto e principalmente checarmos como é administrado o dinheiro público, que na verdade é público no uso, mas pertencente aos pagadores de impostos do país. 

O filme está disponível na Prime Video para aluguel. 

Boa reflexão e votação para todos, pessoal!

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