"Catastrofismo" x "Fake News" x "Paz Na Escolha"
O Brasil é um país gigantesco e reconhecidamente rico em recursos naturais, minerais, com agricultura pujante e berço de diversas nacionalidades que aqui aportaram, deixando uma população miscigenada e culturalmente diversa.
Já quando pensei em iniciar este pequeno artigo, me veio à mente o quadro de Tarsila do Amaral, intitulado "Os Operários", primeiramente pela notoriedade da artista modernista, mas também pela simplicidade dos traços da pintura e da mensagem muito bonita ali implícita de que todos nós temos direito a espaço, trabalho e troca de ideias digna. Mesmo sob espectros de valor diferentes, desde que estes não sejam direcionados ao ilícito, nosso papel como seres humanos é respeitar e tratar com urbanidade o nosso semelhante, mesmo não concordando (inteira ou totalmente) com seus posicionamentos.
A questão é justamente essa: a Constituição Federal prevê que temos direito ao voto, apesar de ele não ser facultativo para maiores de 18 anos:
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante...
Acredito que nós temos a condição de moldar nosso caráter por um espectro conjuntural e esta escolha reside em fatores internos e externos. Exemplificando, nossos pais nos oferecem conceitos para a construção de nosso alicerce educacional, o estudo nos permite a construção de senso crítico e conhecimento de diferentes ciências e disciplinas para nortearmos uma escolha profissional e o nosso íntimo requer disciplina, honestidade, generosidade e algumas outras virtudes para que não derivemos ao caminho do mal.
Ou seja, neste sentido da conversa por este artigo, a política é apenas uma esfera de atuação que apenas REFLETIRÁ o que NÓS decidimos acerca de nossas vidas. Talvez mais importante então do que o direito ao voto, como constatamos que CONJUNTURALMENTE o Brasil sempre existiu permeado por desigualdades e medos, em menor ou maior grau, mas sempre em um grau realmente SIGNIFICATIVO, seja então nós atuarmos, utilizando de nossas potencialidades, para minimizar estes malefícios.
Em pequenos atos como por exemplo, não jogando o lixo na via pública, não ultrapassando o farol vermelho deliberadamente, não bebendo ao dirigir, não disseminando preconceitos e fiscalizando as atuações políticas com meios como por exemplo o Portal da Transparência, acredito que possamos ser muito mais efetivos do que o comparecimento pura e simplesmente às urnas.
Acho que a dificuldade desta coexistência acaba acontecendo por uma série de motivos, mas eu posso destacar 2 principais: a dificuldade de exercermos a urbanidade, como pessoas e também o poder da coercitividade do grupo, conforme Durkheim, o sociólogo francês abordava.
Explicando os dois pontos, a urbanidade, que consiste em costumes que denotem o bom trato para com os demais cidadãos, em atos como cortesia e afabilidade, representa um caminho "difícil" para por exemplo, você ser notado no mundo virtual e ganhar "views" e engajamento. Porque talvez você pareça "bonzinho" demais para ser legal ou até seja rotulado de bobo ou sem firmeza. Mas ser cortês e gentil não significa necessariamente predicados que se anteponham ao senso crítico. Pelo contrário, a sua capacidade analítica até mesmo deve ser útil para te salvar mediante pessoas que se aproveitam da sua faceta generosa para algo indevido.
E a coercitividade do grupo entra em cena quando você, muitas vezes tendo certos princípios nobres, acaba se dobrando a uma determinada pressão por imposição de uma massa de pessoas que, se constatarem sua fragilidade ou sua posição inimiga em aderir àquilo, te rotulam como inimigo. Você entra aí em um dilema: qual caminho seguir?
Repare que a sua paz de escolha vive ameaçada, inclusive pelo advento de um terceiro elemento, chamado "Fake News". Ele também acaba alimentando este "catastrofismo" e de ter uma profusão tão desenfreada, se você não desenvolve uma capacidade de resiliência mental e física, acaba sucumbindo e percebendo que deturpou seu princípio, mesmo involuntariamente.
Esse cenário infelizmente é o que encontramos no atual pleito. O propósito deste texto inclusive é despertar em cada um de nós a consciência sobre a possibilidade de encontrarmos um futuro alternativo e promissor no país que vivemos também a partir de nossa atitude. Discordar, podendo dialogar e não desclassificar o nosso oponente eleitor... já o político profissional, se não se pautar pela lisura, nada feito!






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